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| Uso
de drogas entre estudantes de medicina |
Três
casos envolvendo drogas e estudantes de medicina
mereceram destaque, ano passado, no noticiário
policial da imprensa brasileira. Numa festa para
os novos alunos da Faculdade de Medicina da USP,
em São Paulo, um calouro foi encontrado morto
dentro da piscina, em meio à bebedeira generalizada;
os culpados e as circunstâncias precisas em que
se deu o incidente ainda estão sendo investigados.
Em Sorocaba (SP), durante uma brincadeira de mau
gosto chamada "Maratoma" - já tradicional
naquele campus - estudantes de Medicina da PUC
jogaram álcool e atearam fogo num colega, com
a colaboração de um médico.
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oi pouco. Uma nova ocorrência
chocaria o País e, em maior grau, a população
da cidade de São Paulo. Sob efeito de cocaína,
um jovem de classe média alta, aluno da Faculdade
de Medicina da Santa Casa, foi ao cinema num shopping
center; assistiu os minutos iniciais da fita em
que, digamos, predominava a violência; retirou-se
ao banheiro, admirou-se no espelho e voltou ao
salão para disparar uma submetralhadora contra
a platéia, matando três pessoas.
O fato de os incidentes terem sido protagonizados
por futuros médicos, observa-se, deve ser tratado
como uma triste coincidência. O consumo de drogas
nas faculdades de medicina é preocupante, mas
não extrapola os níveis observados em outros cursos.
Mas, afinal, como, por quê e com que finalidade
um estudante de medicina acaba se entregando às
drogas?
Diversão e escape
"Acredito que, inicialmente,
ele se droga para se divertir, a não ser quando
utiliza benzodiazepínicos", diz Ronaldo Laranjeira,
professor adjunto do Departamento de Psiquiatria
da Escola Paulista de Medicina Universidade
Federal de São Paulo. "Com o passar do tempo,
essa diversão começa a virar problema. Mesmo o
estudante de medicina não tem uma boa percepção
do risco que as drogas representam."
Professor associado do Departamento de Psiquiatria
da Faculdade de Medicina da USP e coordenador
do Grea (Grupo Interdisciplinar de Estudos Álcool
e Drogas), Arthur Guerra de Andrade acha que a
própria sobrecarga dos cursos médicos contribui
para um primeiro contato com as drogas. "O
ingresso numa faculdade de medicina
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já envolve uma competição desgastante,
que compromete boa parte do tempo do adolescente.
Ele abre mão do lazer, dos namoros, dos esportes.
Mais tarde, pode querer compensar o tempo
perdido vivendo uma espécie de adolescência
tardia. O contato com as drogas insere-se nesse
contexto.
Álcool em primeiro
"Apesar de o quadro do uso
de drogas vir mudando da década de 70 para cá,
o álcool esteve sempre presente entre os estudantes,
não só os de medicina. O perfil de abuso de álcool
é muito comum", afirma Ronaldo Laranjeira.
"A boa notícia é que o consumo de tabaco
está diminuindo. Entretanto, acho que a grande
novidade foi o uso de cocaína, que até o final
dos anos 80 era desprezível. Ainda não é a droga
mais consumida, mas está mais presente."
Uma pesquisa do Grea - que analisou alunos do
primeiro ao sexto ano de nove escolas médicas
do Estado de São Paulo, matriculados em 1994 (veja
quadro) - constatou a prevalência das seguintes
substâncias, em ordem decrescente, entre os estudantes:
álcool, tabaco, solventes, maconha, tranqüilizantes
e cocaína. Os maiores índices de consumo foram
observados nos últimos anos do curso.
"A droga mais usada é o álcool. Entre as
ilícitas, a maconha. Depois, dependendo do ano
em que o aluno está, vêm os solventes ele
chega a roubar, inicialmente, para levar à festas.
Especialmente entre as moças, aparecem os tranqüilizantes,
como diazepan, diempax e lexotan", relata
Guerra de Andrade. "Na medicina, o exemplo
não é a melhor forma de transmitir alguma coisa
a alguém é a única. Se você não cuida de
si próprio, como poderá cuidar do seu paciente?",
indaga.
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