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Demora inaceitável

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Eleuses Vieira de Paiva

Presidente da AMB

demora do Senado para a aprovação da PEC- Proposta de Emenda Constitucional que destina novos recursos à área da saúde é inaceitável. O momento exige determinação por parte dos senadores para que coloquem o projeto em pauta de votação. Do Governo espera-se vontade política para o cumprimento de suas obrigações na prestação de assistência à saúde de nossa população. Aprovada pela Câmara dos Deputados em outubro do ano passado, a versão original dos projetos de autoria dos deputados Eduardo Jorge (PT-SP) e Carlos Mosconi (PSDB-MG) veio sofrendo alterações ao longo do tempo através de emendas até chegar ao Senado Federal como PEC aglutinativa 86-A. Hoje descansa insensível e perenemente em alguma mesa do Senado, sem que se observe, até o momento, intenção de ser colocada em votação, para o desespero e aflição daqueles que ambicionam um sistema de saúde digno e que garanta assistência a 120 milhões de brasileiros dependentes do SUS.
Enfrentar longas filas, profissionais desmotivados, hospitais sucateados com equipamentos obsoletos é uma circunstância para os cidadãos que dependem de um sistema que remunera com R$ 2,55 uma consulta e paga, em média, R$ 8,00 por uma diária hospitalar. Essa realidade é o resultado do minguado investimento na área da Saúde no País, ou seja, pouco mais de R$ 150,00 por habitante por ano (R$ 12,00/mês), metade do que é investido no Chile, Argentina e Venezuela. É insensato julgar que a aprovação da PEC, resultando num financiamento extra à Saúde, resolverá a questão. Ainda que não seja o montante ideal,

com certeza, reduzirá a angústia e a agonia de milhares de brasileiros. A PEC garantirá ao setor a mesma prerrogativa dispensada a outras áreas, como a Educação, por exemplo. Sendo aprovada, a União teria que aplicar no SUS nunca menos que 30% do Orçamento da Seguridade Social e 10% da receita resultante de impostos. Os Estados, por sua vez, empregariam 7% das receitas no setor, crescendo anualmente até atingir 12% em 2004. Hoje a média investida é de apenas 4%. Os Municípios destinariam 7% de suas receitas, sendo que até 2004 teriam que atingir o percentual de 15%, cinco a mais do que a média investida hoje. Se tivesse sido aprovada pelo Senado, a população brasileira teria a garantia, já no próximo ano, de um aumento de investimentos em cerca de R$ 3 bilhões ao setor e o orçamento aprovado saltaria de R$ 19,6 bilhões em 2000 para R$ 22,5 bilhões em 2001.
Entendemos que tão importante quanto a implantação de um salário mínimo condizente ao povo brasileiro é a aprovação da PEC da Saúde. Ambos são de extrema necessidade e de alta relevância social. A Associação Médica Brasileira conclama a sociedade, médicos, profissionais e entidades ligadas à área de saúde, suas Federadas e Sociedades de Especialidades que não concordam com essa situação, para que escrevam ao Senado Federal estimulando a aprovação desta PEC 86-A. Conclamamos que os senadores demonstrem sensibilidade para entender que, neste momento, têm a responsabilidade de preservar a saúde de milhares de brasileiros que só desejam um atendimento digno e com qualidade.

*Presidente da AMB

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